quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ca


Continuo a conduzir o choro
Não há nada como o pranto
Na batalha de gelo errante

Quero um fogo que me apague
E um abraço que só me abrace
Quero algo que me amasse

Tenho mais noites que dias andantes
Sou soldado que por vezes corisca
Arrojo o tempo e o de antena morre

Carros


Não obtenho nada neste quarto nato
Demasiado intricado na sombra
Sei que não chega o esquecimento

Observo a sombra quebrar em mim
Ampulheta barulhenta turbulenta
Como pontos no meu radar

Crescem ervas no vaso das certezas
E vejo em mim esse olhar a quebrar
Cheio de desculpas estridentes quando tudo cai.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Bem Antes




Só eu sei o mais certamente de mim
Sei que sou tortura de misturas de alecrim
Juntei chás, ervas e quimeras mil

Renascem olhos profundos e sonantes
Cheios de brumas e condicionantes
Bem lá no fundo, no fundo desta caixa do bem antes

Por vezes o Amor começa no fim
E eu que me conheço bem já nem sei de mim
Espero que se dissipe esta neblina sem fim.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Inesperada

Será depois! O desejo terminou.
Sempre fui de difíceis emoções
E sempre desejei tentações

O mundo jurou parar
Mas aqui nunca terminou
O que estará sempre a mais

Acabo os dias como banais
Pedi e fumei mais um cigarro
Há sempre gentes a mais

Queimei as cartas de mesa
A frágil história definhou
E assim perco a minha certeza

Nunca pensei mas furtei
Nunca pedi mas sofri
Nunca senti e nunca me amei






terça-feira, 23 de agosto de 2011

Detonar

Continuo a conduzir o choro
Não há nada como o pranto
Na batalha de gelo errante

Quero um fogo que me apague
E um abraço que só me abrace
Quero algo que me amasse

Tenho mais noites que dias andantes
Sou soldado que já não corre
Arrojo o tempo e o de antena morre

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Adeuses


Estes flash's nunca deviam de durar
Agora que a minha figura grassa arde
Em algum momento o naufrago chega
O perdido nunca chega aos achados de facto

Quem agora irá casear?
De quem me vou esconder?
Farei disto um exercício ?

As pálidas cicatrizes desbancam afecto
De tão perdido tenho tanto a aprender
Que os dedos sempre queimados rasgam

Quem vais correr?
Onde me vou esconder?
Vou ficar melhor?

Existe em mim algo destinado a quebrar
Como um barragem quase sempre a estalar
Quero libertar-me mas não sei como me transformar

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ferro-Velho


Sem amor, numa linha de rumo
O sonho bem devagar cai no ar
E o azul do céu esborrata o mar

Sem amor, fica tudo escrito
E já nem isto é quanto baste
Sem amor. Estranho contraste

Sem amor, horas paradas
As recordações são passadas
São restos de noites de desespero

Sem amor, desvio de alma
Já não há olhar inquieto em compasso
Iludo-me no entanto onde me quero perder

Sem amor, histórias passadas
Um dia serei contador de contos
Tauromaquia do meu viver


Gemedor
























Todos temos destas coisas estranhas
Cravamos biscates aqui nas entranhas
E fazemos disto a nossa demanda

Confundimos o definhar com o sonhar
Damos corpo, alma e sentimentos
E ficamos quérulos nestas juras de amor

Quem me dera saber, mas não sei
Porque esperamos até o dia esmorecer
Malmequer já ninguém me quer ímprobo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quase Imperfeito



















Há um lamento que em mim teima
E gritei um suspiro que me queima
E mesmo assim fiquei calado
Nos dias de mentira, por maldade

Se este bater é louco como dizem
E que os dias de verdade são desatino
O meu pecado é ainda acreditar

Nem o amor imortal, perdoa
Não se ama a razão, eu que menti
Vou escutar é o meu coração




segunda-feira, 25 de julho de 2011

Zoo









Se eu acreditasse em mim, estaria bem
Mas não se aplica as ondas cá dentro
Só as multiplica em quase perdões

Chamo a isto tempos árduos
Os braços pesam neste mar de areias
Tenho medo da paciência inquietante

Podias ter tido de inicio que eras uma farsa
Que eu manteria esta mentira bem próxima
Afinal é o temos quando o mundo é verdadeiro

terça-feira, 19 de julho de 2011

Antes que


Alguém me sustente
Antes que me arruíne
Furtem-me esta caneta

Não te queres penalizar comigo
Enganas-te com pasmo p'las ruas
Repletas de objetos cônicos sonoros

Publica na minha álea
Sou compassivo às chagas
Não me queres amar




quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sopro






Crescem as mil e uma noites pelas ruas
E eu fico com o sonho quimérico
Nesta minha estranha forma de vaticinar
Chega de escravidão incomensurável

Deleito-me a ouvir o fado
Somos tão adoráveis amor
Adormeço no embalo da guitarra
Nasce o sonho de cantar a madruga

Sente este vento gelado no peito
Consciente sinto uma blandícia no luar
Já é tarde, é sempre tarde de tarde
Dizem sempre que quase chegam aqui



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Brumas


Chama por mim a voz de um mudo
Haja em mim alguém que anseia
E eu, que não dei mais uma vez por nada
Sempre sem saber o fim de tudo

Cerra o frio sem eu dar nada
Cresce em mim culpa, não dei por nada
Dou-me ao mundo de mão cerrada
Fiquei num todo sem ter fim

Vou cair no olhar fundo que se apronta
É ai que o meu ser se esconde na madrugada
Chora-me guitarra, chora-me mundo
Que quero aqui ficar sempre sem dar por nada

domingo, 3 de julho de 2011

(certo + -eza)

Fiquei com a alma deserta
Induz em mim a dor
E morri de febres incertas

Pressas inúteis e crápitas
Onde morre um novo amor
Estas quadras, que dizem conhecer-me

Confesso ao espelho ustório
Que sou um caso arrumado




sábado, 2 de julho de 2011

As gentes


Em alturas há pó nas linhas
Aqui na palma da minha mão
Sinto parar o meu coração

Arrisco-me a beira do ponto do abismo
Onde está bem ingrime o meu coração
Preso nestes versos insolentes
Neste fim onde acabo só

Peço que me o feches sem receios
Guarda-me e cerra-me o coração
Quebra o sorriso triste da boca
Há somente loucura, que me toca no incerto

domingo, 26 de junho de 2011

Saudade


Chamo por mim com saudade
Falo numa voz errante ao luar
E canto por mim numa saudade

Dormem em mim epopeias
Soluço anseios de receios
E peço por mim a saudade

Há em mim alguém antigo
Com vozes de saudades
Quando me sinto só


sábado, 18 de junho de 2011

Apego


Vou impregnar de aromas a vida
Infundir no ser a fomentação de risos
E comprazer-me a mim sem somenos

Frágil e ténue raia fútil
Como papagaio de papel
Num ar bem agitado de vaidade

Vou estremar selecção e opção
Selecciono egolatria desmedida
Opto pelo culto subjectivo da afeição






quinta-feira, 16 de junho de 2011

Inercia


Mais uma vez vou-me dar a escolher
Mais uma vez vou ficar comigo
Mais uma vez vou quebrar a magia

A vila lá longe acolhe mil fés
A cidade ali despeja os fieis
Aqui acolho neste meu mundo
E chamo por todos e pelos santos

Aguas proibidas de serem perdidas
Fumos de um amor claro e preso
Tintas criadas numa oitava cor parada






segunda-feira, 6 de junho de 2011

WC






















Em modo agitado e espirituoso
Regado com luzes barulhentas
Assumo comando activo

As articulações insinuam-se
Cego não quis ver, neguei-me!
As palavras saem como jogos
E devaneios tornam realidade

Dou por mim em plena guerra
Linha da frente, arma na mão
E assim comento pecado, aqui
Libertando pudores comuns

Existem expressões que marcam
Existem momentos que iniciam
E eu? Marquei ou iniciei?
Será somente mais um tiro, cego.

sábado, 4 de junho de 2011

Estreiteza

Amordaça este meu desespero
Aniquila esta angustia opressora
Até as estrelas incorrem como vitimas

Há aqui mil alarmes que aquecem a voz
De mil cidades que nunca descansam
Mais um vez, vem a manhã sozinha

Adormece em mim este brilho de Junho
De prosas e rosas em trilhos de tribos
Não há quem me abrace, já nem textos.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Condição


Descobri que o amor platónico é pateta e humilhante
E que um dia a paciência fica impaciente
Tira tudo o que tens que o restante
Será mais que suficiente certamente

Tatuei o que até a alma tem vergonha de ousar
E retoquei o que sempre foi ávido
Sedento de quem é audaz, eu que sou pertinaz
Eu que reluto em ter repugnância

Este meu arcano de clarabóia adesiva
Soluça prezes enfadonhas de refine
Diz que arquitectas o teu âmago anacoreta
Privando assim a minha carência



sábado, 28 de maio de 2011

Ininterruptamente


Rasgando a poesia atroz
Encerando a lábia árida
Nestes lábios perfídios
Falso velo, falso veludo


Num punhado meio cheio
Patrocinei o domínio do mínimo
E publicitei o amor infinitesimal


Já tive boa sombra, se tive
E ainda má sombra, se tenho
Agora estou sozinhamente só
Somente na sombra.




sexta-feira, 27 de maio de 2011

Obtuso

Hoje vou abraçar fielmente a saudade
Vou gritar silêncio perpetuo a noite
E ainda vou soprar as tristezas

As fachadas velhas e toscas têm cor
É isso, um certo bronzeado febril
Está quente esta noite, já é tarde

Entre loucuras passadas e revividas
Aqui há androgenidade obscena.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fastio


Sonhei ver a terra a girar
E esperei para ver os tais
Foi assim, inventei o tic tac de mais

Corri ao mundo e gritei
Que perdi tempos de paz
Enraizei que não irá crescer

Convidei o tempo a correr
Mas esta cansado e entediado
De fazer sombra aos que tais






domingo, 22 de maio de 2011

Sintagma

Fantasiar não me basta
Farpeia-me e apunhala-me
Ninguém ouve os santos

Cessa no fim franchão
Ilude as lágrimas venenosas
Logrando, é o que eu vivo!

Não dás anuência a ninguém
Faz de mim vagabundo volante
E assim alguém me mande calar



Limbo

Tenho problemas com multidões
Posso jurar que os loucos não são iguais
E que estas casas são todas iguais

Tenho problemas com os desejos
Posso jurar que já senti fome bem aberta
E que a gula em mim aperta e me desperta

Tenho duvidas quanto a mim para apagar
Tenho algumas queimaduras para mim
Bati em janelas abertas e fontes certas

Tenho cartas de pecado arrependido
Tenho morte certa em tempo indeciso
Bati no passado que é sempre bem vindo



domingo, 15 de maio de 2011

Gulliver


Sem dom nesta voz que a minha mãe deu
Eu sei que nunca sou nem serei o que sonhas
Em sete mares aos quatro ventos, grito mais!

Eu estou onde há tormentas a batalhar
Porque no sonho nunca é menos sonhar
Dei um nó neste fio de pesca entre mim e Deus

Abri o pranto no peito onde há um fruto de mil anos
Há memorias que nunca vou partilhar, enterrei
Porque não encontro quem me espera nestas ondas

Parto numa viagem ao epicentro, e esqueço-me
Este coração nunca irá parar de bater até morrer



sábado, 14 de maio de 2011

Ultimo Sorriso

Nesta pendularidade com encontros míticos
Depenei a fénix, quebrei o misticismo
E aqui estou eu, sem cinza.

E assim o fim terminou, de vez
Pago ao barqueiro se for preciso
Porque o que sempre teve fim, chegou

Eu digo-te que sou impossível
Aqui é tudo mais seguro
Neste vão de escada mítico

segunda-feira, 9 de maio de 2011

De(Cor)


Prateei certas memorias
Plantei no sol algumas ideias
Como um picasso numa tela em branco

Chora para mim, chora!
Agora chora por mim
Só depois por ti, só ai!

Define sorriso em mentiras
Como ervas daninhas
Em pleno Cairo Oriental.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Armadura


Trajecto em caminho de pé posto de chamas
Pisadas pesadas num estrumunhar
Fazem um trejeito como um modilho

Demorou até voltar a por as luzes no meu olhar
Quebrei os votos, e voltei em cicatrizes boliças
Tatuei no olhar o frio fervente da alma

Pelos ladrilhos perdi a visão da índole
Agucei a negação ao intimo
Privei a fascinação do paradigma


terça-feira, 3 de maio de 2011

Motejo


Como um extremo colosso
Existe nessa tua sociofobia
Em tom penetrante Marxista

Errei o caminho conturbado
Pequei desonrada-mente em desuso
Sou um crápula libertino

A tua eloquência comove me
Perturba me a piedade
Elevas-me o escárnio, zombando-o!

Não passas somente
De mais um grande plágio
De uma fraca Ideia.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Correntes


O teu role de segredos
Seguros e mortos estão comigo
Como o forte knox num cadeado
No diário de bordo afundado

Já que estas ai fora, e vais ficar
Dá uma volta ao meu redor
Jamais o direi a ninguém

Chegou o momento da honestidade
Chega de inconstâncias merecidas, eu sei
Pergunto-me se por momentos há razão!

domingo, 24 de abril de 2011

Dogma


Fatigado de estar turbulento
Encolerizado por mendigar
Nesta turbamulta barulhenta
Em jeito de chuva copiosa

Veemente impetuosa
É assim que roda me fala
Enamora-me tagarelando
Como se de algo eu padecesse

Há em mim uma sofreguidão
Onde só a fome é solução
Para por fim, como uma cacotanásia

sábado, 23 de abril de 2011

Lingua


Não sou detentor do silêncio
Nem a mudez existe em mim
Queria ter o dom da palavra
Mas não junto letras

Tentei falar com as mãos
O que eu tentei, juro que tentei
Mas só tenho movimentos parkinsonianos

Aprendi braille e sons
Decorei dicionários
Inventei o que já não havia
Contudo nem assim cheguei

Um dia teremos o mesmo idioma
E ai talvez, nos entendamos

terça-feira, 5 de abril de 2011

Saltos


Nunca te vi a procura da tua alma
Como encontras a minha
Por isso não faças que não lembras
Não lembras onde me perdeste.


Tenho uma certa tendência
Para encontrar as falhas
Entre as tuas mentiras
Mas não procures agora, não eu.

Talvez seja da luz
Ou seja de mim
Quis dizer eu, não eu.

domingo, 3 de abril de 2011

Roteiro






Mais uma paragem
Nesta estação de incógnitas
E bipolaridades

Porque não controlo o comboio?
Este comboio de emoções!!

Sou mecânico de condescendência
E no entanto não arranjo
Esta emoção de incoerência


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vestuário

Efermeridade, Preço, Descartibilidade, Durabilidade, Necessidade.Tudo muito Cíclico

Em tempos somos bonitos, estamos na berra, somos desejados até nos tomarem por...demodê.
Todos dizem ter o seu valor, o que acho dúbio.
Com o passar do tempo, somos trocar por substitutos com mais ou menos upgrade.
Fomos feitos e criados, em função da imagem alheia para satisfazer necessidades.
Quando nos aleijamos, somos tratados. Remendamos tudo quanto nos é possível.Até o que não tem remédio.
Voltamos sempre ao mesmo, adaptamo-nos. Seremos assim tão diferentes de peças de vestuário?!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Tenor


Em dias de chuvada
Visto o meu orgulho
E com estas guerrilhas
Aumento o volume

Tira, dá, rouba e saqueia
Nestas paredes em escombros
Continuo com orgulho em areia
Aumento o volume

Mesmo sendo somente um.
Uma voz entre milhares
Altifalantes ao máximo.

Falsas Construções


Mascaras dissimuladas
Palcos gregos e
Falsidades ácidas

Parti o mar azul
Nunca tive tão
Forte fraco amar

Vou beber-te a sorte
Vou mudar os meus ladrilhos
Molestos sentidos

Perfida representação
Que perda de ilusão.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Envolvimento


Não quero ser o ultimo suspiro
Nem ter as mãos vazias
Quero é abraçar o tempo
Como quem para um relógio digital

Quero ser quem perde
Mas não quem sempre chora
Quero um dia ser o olhar
Numa noite de cristal

Levo o sol fiel
E eu, fico somente
Somente Só

À vez

Quando me puxam e forçam
Ponho as minhas linhas na linha
De todas as vezes que não percebo

Terei fibra para a vergonha
Já conto com a insegurança
Há aqui o reflexo do medo

Há coisas que perdi ao perder
Este duelo de dor de fés
Sempre que tentei ser

O que é feito do jazz e do soul
Pensava que percebias
Sobra a vergonha mais uma vez

E se a voz já não ecoa aqui
O que é feito de mim?






domingo, 20 de março de 2011

Alvitrar




Há somente uma batida, sinto-a!
Há somente um caminho, percorro-o!
Há somente um peso, molesto-o!

Há somente um medo, suporto-o!
Há somente um abraço, estimo-o
Há somente um amor, alvito-o


Há um fogo nesta lágrimas
Pairam cinzas dos terrores
E já nos resta somente esta noite

domingo, 13 de março de 2011

Livros

Bem vindos à mascarada
Onde o céu muda de cor
E o diabo se ri.

O desencanto é mistério
E a vida é selva
De grunhes constantes

Ásperos tempos!!
A mancha humana
É uma criança
Que brincava com a lua

Bem vindos à fabrica de escândalos
Onde o bater da hora
É amar como um prisioneiro

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reinados

Cansei de ver aparições
Fatídicas de miragens
Como cobranças já consumidas

Reclamo que me tornes Príncipe
Ordeno que me tomes por Rei
Deixa-me anuir ao desejo

Ama-me
Deseja-me
Torna-me excepcionalmente exclusivo



Comboio


Como numa palete de cores
Sem brilho de queda
Há uma coloração opaca
Neste coração de tintas

Como um motorista d'alma
Que conduz d'aquem pr'além
Num abalo ríspido

Cansado desta plataforma
Onde a despedida é a vida desse lugar
Alias, a minha vida é desse mesmo lugar


terça-feira, 8 de março de 2011

Plástica

Caminho de erros
E chego sozinho
Atrasado pelo ontem

Há sonhos que não conheço
Mutilastes, agora já não é preciso
Desfigurei o monstro

Fraquezas são tão mais
De queimar o rosto
Esqueci, esqueci que já não sou dono de mim

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pedras da Calçada

Nestes caminhos de histórias
Entre sombras,becos e ruelas
Onde já nem a saudade mói
Há portões de cor cansada

Aqui nesta rua perdida
Cansada deste banco verde
Por entre salteadores de casas
Sem nomes, sem vergonha

Gritem as pedras da calçada
Palavras quebradas ou sentidas
Gritem às pedras da calçada
Gritem!Gritem pedras da calçada!

Ouve e escuta as sombras
Ve o reflexo da imensidao











terça-feira, 1 de março de 2011

Arqueiro

És soldado perdido
Salvas o sem sentido
E mais de ti dás

Em caminhos longos
Erguer o exercito
Serei teu soldado

Dá sinal de guerra
Sentinelas nas muralhas
E com força termina
O soldado perdido

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Blá Blá Blá

Navego no lume como um envide
Coisa que tu já não me dás
Fantasio que me confino a este papel

Digo que sou a noite velha
Tu depões e dizes que sou de guerra
Chega de praguejar juras

Lanterneiro de sim, celestial do não
Digo-te que malograste no gelo
Sou vão onde tu já não duras


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ideias





Como se tivesse mil ideias..
Não!Se tivesse mil sentimentos
Não teriam valimento aqui
Na caixa dos afectos

Sofro mil ideias
Tenho mil sentimentos
Tudo isto e mais, numa caixa
A caixa tolda dos afectos

Uso garras nos sentidos
Onde tudo perde a feição
As formas e o fedor
Cravo os dentes nas mágoas
Uso garras nos sentidos

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pêndulo


Tempo, ó coisa estranha
Nunca paras, nunca andas
Retens o que é de todos
Sempre numa demanda

Tempo, ó que nepotismo
Concentras tudo num momento
Enquanto passas brevemente
E até nesse instante és irritante


Tempo, ó coisa banal
Perdes o encanto
Mas ganhas-me no entanto.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Suspiro


Diz-me numa prece que não há tristeza
Que não há beleza nesta tristeza
Que na realidade não sairás de mim
E que sem mim não há beleza

Diz-me que não há mar sem sal
Que não há peixes no mar
Que do mar vêm as ondas
E que as lagrimas são de sal

Diz-me que há amor no olhar
Que há quem olhe por nós
Que nos ame sem temer
E que há amor entre nós

Parte - X


Eu podendo ser compreensivo ou gélido e até racional.Ou ainda quiçá pragmático, falha-me tudo.

As respostas a esta visão quimérica e apática aviva-me sensações de negligência.

Se bem que, nesta incúria há uma leve noção de uma silhueta.Como se fosse ainda, mais um leve defeito de mácula, do género usada em noites de brilho para brilhar.

Sim!!Esse teu fulgor, essa luminância. Não há direcção dada, até na ciência me perco. Contudo luzes ainda mais e mais. Podia exponenciar mas no fim seria mais um erro.

És beligerante e eu? Então eu,sou pacifista nesta minha consciência intima. Ou não terá aptidão para receber estas impressões?!

Por vezes paro, e vejo tudo numa opacidade densa. Contudo consigo ser cabalmente cénico.

Ainda ouço os chocalhos desordenamente ruidosos, que punhas em xeque com esse expressar de movimentos faciais de onde, o pranto nunca fora encerrado.

Tenho um boceta, porque não?! Se há coisa que nunca iremos esquecer em casa nenhuma é isso mesmo.

Sou extravagante no entanto não sou caprichoso nas fantasias, se o fosse nunca teria perdido este laço.

Perdi aquele profundo abalo no animo que tanto me asfixiava de desejo num ébrio de ti.

( continua )


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sociedade Pré-Liquidada


Hoje sou amnésico.

Sou a famosa deixa do " Hoje esqueci-me de me lembrar de mim" se me é permitido a vulgaridade desta moldura nesta chapa fotográfica.

Apresento-me como proposta de venda. Proponho valores pecuniários, aos quilates da moralidade nesta reunião de pessoas unidas por uma solidariedade de interesses.

É-me suspeita esta vaidade exagerada, visto que pode nem ter solidez nem duração suficiente. Mas estas ditas moralidades não andarão com problemas de importância tendo em conta ao preço?

Temos mais clichés como: - Preço da chuva - ; - a qualquer preço - ; etc. Mas já me esquecia da célebre solidariedade social, abram se aos saldos e às liquidações totais humanas! O mundo acaba amanha certo? Ou é depois de amanha, flutuo sempre nestes conceitos de fim.

Erro meu de enexactidão, ou estarei a ser falso?! Adiante.

Como sou orfão nestas aventura de cavaleiros andantes percebo ainda menos, sobre esta composição de valores.

Digo que é indubitável de forma empirica, minha claro, que os afectos de facto podem ser traduzidos em numerário e não nos prendamos a questões semanticas sim?!

Andamos em constantes vendas publicas numa espécie de mercado negro. Será a oferta assim tão diminuta para valores a tão sacrificio?

Vagueio pela hasta publica e vejo cartazes numerosos, bem magnânimos e intensos com propostas do tipo laudémio.

Tudo instantâneo e de realização pratica que leva ao efeito.

Abaixo a desilução, a tristeza, a magoa, a dor, a nostalgia, o amor, amizade, a compaixão, a fé, a esperança, a paz, a nossa tão nossa saudade, etc etc etc.

Se tudo isto é comerciavel, e acredito que no fundo desta gaveta civilizacional o seja, esperançoso de erro nesta alegoria. Afinal de contas ( estou a prestar culto a esta piada ) faço parte desta reunião de interesses esta incoerência antagonica.

90'


Percorri e reparei que notei que tinha a prova.

Esta existência fisica e moral de substância sublime porventura composta por memorias voláteis que ainda talvez indeterminavelmente vagabundas.

Existe uma falta de clareza que deixa muito a supor,cuja sede não nos deixa supor esta disseminação. Percebo finalmente.

Encaixo o porque de dizerem que as melhores são gratuitas.

Aqui onde tudo é grande, semelhante a uma esfera armilar, alego justificativa de culpa e afim ao cabo foi me dado um pretexto inveterado como um som doce e melancólico.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Paredes Vermelhas


Pequenos círculos corrido
Vários pontos disformes
Do cinza, o fumo passa a vermelho
E o tempo Acaba.

Reflexos de uma natureza
Cristais ilusórios, muitos cristais
Ideias e palavras, soltas.

Condensei tudo
Suprimi o que já era
Resta-me o branco e o negro
Tenho um vulto, indefinido.

A atmosfera pesa
E as mãos falam,
Jogos dão lugar a sensação.

Quero!Quero como uma criança
Que este lugar, não seja branco.
Duas linhas que se movem
E o meu medo aperta-me.

Percorro cada recanto,
Analiso o que posso e
Procuro um sinal..

Desastres




Funesto grego

Em índole ja vistas

Submersas em sonho

De esquisito extremo


Lágrimas e risos

Desejos de coerência

Em buscas perdidas

Gritantemente desastradas


Danificada a fascinação

Desastradamente interessante

Entertainment


Tenho terminantemente vontade de abstracção neste recreio.

Quero inquirir entretenimento até ao boato assustador electrico tocar, numa gritaria de fim.

Este apetite aspirante de pisa papeis entre espetaculos de onde não ha origem de ensaios e ainda menos fim deste alvo de experiencias rematantes.

Haverá como tornar inteligível a causa destes fenómenos caloríficos? De uma forma evidente e incompatível.Alarme!

Alarme!Sempre sibilante, áspero e penetrante como a inconsciencia de fim.

Inadvertência isenta nesta voz secreta que branqueia a afeição.Aguentas?

Aguente sem tremer esta ardósia de prelecção sobre pedras soltas ou filosofais.Mostra!

Recusa o controlo até o pesar, mas estou aqui para o meu entretenimento.

Em vista disto suporta ate acabar em todo o tempo.

Balança


Histórias murmuradas

São comparações de egoísmos

Suaves vozes vãs lutam

Perco-me nestas mentiras perdidas


Vizinhos de alma

Irmãos de desejos

Primos de ilusão

Pais de ostentação


Anseio pelo adeus

Receio por esta fobia

Não estas por mim

E já nem eu por mim